terça-feira, 14 de maio de 2019

Língua Portuguesa: poema

Última flor do Lácio, inculta e bela, 
És, a um tempo, esplendor e sepultura: 
Ouro nativo, que na ganga impura 
A bruta mina entre os cascalhos vela... 
Amo-te assim, desconhecida e obscura, 
Tuba de alto clangor , lira singela, 
Que tens o trom e o silvo da procela 
E o arrolo da saudade e da ternura! 
Amo o teu viço agreste e o teu aroma 
De virgens selvas e de oceano largo! 
Amo-te, ó rude e doloroso idioma, 
Em que da voz materna ouvi: “meu filho!”
E em que Camões chorou, no exílio amargo, 
O gênio sem ventura e o amor sem brilho! 

Olavo Bilac. Poesia. Rio de Janeiro, Agir, 1976. p. 86.

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